A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira, dia 8 de junho, a Operação Gemini, que mira uma organização suspeita de negociar decisões judiciais e lavar dinheiro. Entre as ações do dia, os agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma sala comercial localizada na zona sul de São José do Rio Preto. O foco principal da investigação é um suposto esquema criminoso ligado diretamente ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.

Toda a mobilização foi coordenada pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso. A ofensiva marca uma nova etapa no aprofundamento das investigações para sufocar a atuação de pessoas que trabalhavam intermediando a compra de sentenças e ocultando a origem do dinheiro obtido de forma ilegal. Além da busca realizada no escritório em Rio Preto, os policiais foram às ruas para cumprir mandados de busca em residências, revistas pessoais e ordens judiciais de quebra dos sigilos bancário, fiscal e de mensagens dos suspeitos.
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, o inquérito detalha a existência de uma estrutura montada especificamente para transformar decisões da Justiça em mercadoria, usando técnicas financeiras para fazer o dinheiro ilícito parecer legal. Conforme o nível de participação que for comprovado no decorrer das investigações, os envolvidos poderão responder judicialmente pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa — que é quando alguém usa a influência do cargo público para defender interesses privados — e lavagem de capitais.
Até o final da manhã, a Polícia Federal optou por manter o sigilo sobre a identidade dos investigados e não divulgou a lista de materiais, documentos ou equipamentos eletrônicos que foram recolhidos durante a vistoria na sala comercial em Rio Preto. O material apreendido será enviado para análise pericial para ajudar a rastrear os caminhos do dinheiro e identificar outros possíveis participantes do esquema.
