PF prende desembargador do RJ por vazamento de operação contra TH Joias

A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã de hoje no Rio de Janeiro o desembargador federal Macário Júdice Neto, por suspeita de vazamento da operação que prendeu o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. O deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado da presidência da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) após ter sido preso no início do mês, foi alvo de buscas da PF, uma semana após ter deixado a prisão. Um assessor do parlamentar também foi alvo, segundo apurou a coluna.

A ação é a segunda fase da Operação Unha e Carne, a mesma que prendeu Bacellar no dia 3 de dezembro — ele foi liberado no dia 9, após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes confirmar a decisão dos deputados estaduais fluminense pela soltura.

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A investigação
O desembargador Júdice Neto era o relator da ação contra o deputado TH Joias, e a suspeita é que ele vazou a realização da operação contra o parlamentar. Segundo a PF, a nova operação investiga a atuação de agentes públicos no vazamento de informações sigilosas que culminou com a obstrução da investigação realizada no âmbito da Operação Zargun, deflagrada em setembro.

Além da prisão do magistrado, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. "A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos", diz a PF.

A investigação sobre TH Joias mira a relação entre agentes públicos e a integrantes do crime organizado no Rio de Janeiro.

Operação Zargun
Deflagrada em setembro, a operação Zargun teve como principal alvo o deputado TH Joias. Ele foi preso por tráfico e associação ao Comando Vermelho, acusado de usar seu mandato para beneficiar a facção criminosa. De acordo com o Ministério Público, ele nomeou comparsas para cargos na Alerj e atuou diretamente como intermediário na compra e venda de drogas, armas de fogo e aparelhos antidrones que seriam usados pelo tráfico, além de ter realizado pagamentos a integrantes do CV.

A Operação Zargun também mirou outros funcionários públicos com atuação no Rio, incluindo um delegado, policiais militares e o ex-secretário estadual e municipal do Rio
Alessandro Pitombeira Carracena.

Fonte: PF prende desembargador que relatou caso de TH Joias